O Movimento Participação Médica

Todos nós reconhecemos que a situação do médico e da Medicina se deteriora a cada dia. O médico é cada vez mais desvalorizado e pressionado, seja pelas condições precárias de trabalho que enfrenta no serviço público, seja pelo represamento do mercado imposto pelas operadoras de planos de saúde.

Já há algum tempo, o descontentamento e a desesperança dos profissionais que escolheram abraçar a Medicina são evidentes. Ouve-se, em pequenos grupos, que “algo precisa ser feito”, que “perdemos o controle sobre nossa profissão”, sem que efetivamente a mudança aconteça.

Talvez o motivo da inércia seja o fato de esperarmos que “alguém faça alguma coisa”, quando, na verdade, não precisamos de um “Messias”, mas sim que cada um se proponha a fazer com que a nossa prática médica se aproxime mais dos ideais que nos levaram a prestar um vestibular tão concorrido, persistir por seis anos na faculdade, enfrentar uma pesada especialização e plantões em condições dificílimas.

De conversas e discussões sobre este tema, um grupo de médicos do Rio de Janeiro, de diferentes especialidades, gerações e experiências, decidiu que era hora de agir, de convidar mais médicos para refletir sobre as possíveis mudanças e sobre como alcançá-las. O primeiro passo para isso foi a fundação da Associação Movimento Participação Médica – AMPM – uma associação que se propõe a trabalhar por:

  • Uma medicina pública bem financiada e bem gerenciada, com honorários dignos e ascensão funcional, capaz de proporcionar um atendimento de qualidade a toda a população e;
  • Uma medicina privada fundada na livre escolha pelos pacientes, no livre exercício profissional e numa concorrência leal e ética entre os médicos, livre de interferências empresariais e capaz de oferecer iguais oportunidades de trabalho a todos os médicos.

É um movimento cívico, de caráter plural e democrático, aberto a todos os médicos que se identifiquem com seus objetivos e cujas fontes de recursos provêm, exclusivamente, das contribuições de seus membros.

Essas contribuições se destinam ao custeio dos trabalhos da secretaria, das consultorias especializadas (de comunicação, de contabilidade e jurídica) e das atividades de divulgação.

Os membros do Movimento Participação Médica têm plena consciência da importância da participação das entidades representativas da classe médica, especialmente do Conselho Regional de Medicina, na construção desse novo cenário pelo qual tanto ansiamos.

Reconhecem, também, que algumas dessas entidades, não estão livres da ação direta de militâncias político-partidárias ou de planos de saúde, e que isso ocorre em função da inércia da classe médica que muitas vezes não parece demonstrar a disposição necessária para reagir às imposições das grandes corporações e à crescente e escandalosa mercantilização da Medicina em nosso estado.

Tentativas de mudança no esquema montado pelas empresas para explorarem o trabalho médico, como a central Médica de Convênios, que por meio de uma a ampla e democrática mobilização chegou a agregar sete mil médicos, parecem ir de encontro aos interesses defendidos, e são subitamente truncadas, sem qualquer explicação plausível.

Para alterar esse quadro, o Movimento Participação Médica vem desenvolvendo um esforço metódico e organizado para representar uma ampla renovação da representação médica em nosso estado, se tal for o desejo dos médicos do Rio de Janeiro, pela via eleitoral.

Em conclusão, o Movimento Participação Médica oferece, a nós, médicos, a possibilidade de juntos trabalharmos pela Medicina com que todos sonhamos: digna, humana, solidária e independente. De superarmos, no setor privado, as ingerências e limitações que as grandes corporações nos impõem e, no setor público, o tradicional desinteresse das autoridades e a falta de investimento e de organização tão necessários ao adequado atendimento de nossa população.